15/09/2011

NARRAÇÃO

Narrar é contar uma história. Sendo assim, a narração tem como centro a ação, o fato. Um texto narrativo é uma seqüência de ações que se sucedem através do tempo e do espaço.

A narrativa pode ser ficcional ou não ficcional. A narrativa não ficcional (ou real), conta os fatos reais, sem recriá-los, limitando-se a mostrá-los como realmente aconteceram. A narrativa ficcional (ou fictícia)  cria ou recria fatos. Sobre um fato real, por exemplo, a história da Segunda Guerra Mundial, podem ser criados milhares de textos fictícios (basta lembrar de filmes como “Os doze condenados”, “Os canhões de Navarone”, “A lista de Schlinder”, “Uma luz na escuridão”, “Um canto de esperança”, entre outros.). Veja abaixo os tipos de narrativas não ficcionais e ficcionais:


Narrativa não ficcional

Biografia: É a narrativa da vida de alguém. Pode ser escrita pelo próprio autor (autobiografia) ou por outra pessoa.

Relato: Texto narrativo curto, essencialmente informativo como, por exemplo, o relatório, carta, e-mail, entre outros.

Resenha: Trata-se de um resumo crítico com juízo de valor, uma síntese de um texto que visa impressionar o leitor em relação às qualidades desse texto.

Artigo: Texto normalmente divulgado pela imprensa, elaborado com base em fatos atuais. Difere da reportagem pelo grau de isenção do autor, porque no artigo o autor tem liberdade de expor sua opinião.

Ensaio: Texto científico ou técnico que deixa clara a opinião do autor sobre determinado assunto, geralmente mostrando ao leitor o processo de reflexão pelo qual passou o autor até chegar à conclusão que é tema do texto.

Reportagem: Texto narrativo essencialmente informativo, sem limite de tamanho. Em princípio, deve limitar-se a narrar os acontecimentos, sem juízo de valor. Seu objetivo é retratar literalmente a realidade, com o objetivo único de informar os fatos.

História: É a narrativa da “vida” de um país ou de um povo.


Narrativa ficcional

Romance: em geral é um tipo de texto que possui um núcleo principal, mas não possui apenas um núcleo. Outras tramas vão se desenrolando ao longo do tempo em que a trama principal acontece. O Romance se subdivide em diversos outros tipos: Romance policial, Romance romântico, etc. É um texto longo, tanto na quantidade de acontecimentos narrados quanto no tempo em que se desenrola o enredo.

Novela: muitas vezes confundida em suas características com o Romance e com o Conto, é um tipo de narrativa menos longa que o Romance, possui apenas um núcleo, ou em outras palavras, a narrativa acompanha a trajetória de apenas uma personagem. Em comparação ao Romance, se utiliza de menos recursos narrativos e em comparação ao Conto tem maior extensão e uma quantidade maior de personagens.

OBS: A telenovela é um tipo diferente de narrativa. Ela advém dos folhetins, que em um passado não muito distante eram publicados em jornais. O Romance provém da história, das narrativas de viagem, é herdeiro da epopéia. A novela, por sua vez, provém de um conto, de uma anedota, e tudo nela se encaminha para a conclusão.

Conto: É uma narrativa curta. O tempo em que se passa é reduzido e contém poucos personagens que existem em função de um núcleo. É o relato de uma situação que pode acontecer na vida das personagens, porém não é comum que ocorra com todo mundo. Pode ter um caráter real ou fantástico da mesma forma que o tempo pode ser cronológico ou psicológico.

Crônica: por vezes é confundida com o conto. A diferença básica entre os dois é que a crônica narra fatos do dia a dia, relata o cotidiano das pessoas, situações que presenciamos e já até prevemos o desenrolar dos fatos. A crônica também se utiliza da ironia e às vezes até do sarcasmo. Não necessariamente precisa se passar em um intervalo de tempo, quando o tempo é utilizado, é um tempo curto, de minutos ou horas normalmente.

Fábula: É semelhante a um conto em sua extensão e estrutura narrativa. O diferencial se dá, principalmente, no objetivo do texto, que é o de dar algum ensinamento, uma moral. Outra diferença é que as personagens são animais, mas com características de comportamento e socialização semelhantes às dos seres humanos

Parábola: é a versão da fábula com personagens humanas. O objetivo é o mesmo, o de ensinar algo. Para isso são utilizadas situações do dia a dia das pessoas.

Apólogo: é semelhante à fábula e à parábola, mas pode se utilizar das mais diversas e alegóricas personagens: animadas ou inanimadas, reais ou fantásticas, humanas ou não. Da mesma forma que as outras duas, ilustra uma lição de sabedoria.

Anedota: é um tipo de texto produzido com o objetivo de motivar o riso. É geralmente breve e depende de fatores como entonação, capacidade oratória do intérprete e até representação. Nota-se então que o gênero se produz na maioria das vezes na linguagem oral, sendo que pode ocorrer também em linguagem escrita.

Lenda: é uma história fictícia a respeito de personagens ou lugares reais, sendo assim a realidade dos fatos e a fantasia estão diretamente ligadas. A lenda é sustentada por meio da oralidade, torna-se conhecida e só depois é registrada através da escrita. O autor, portanto é o tempo, o povo e a cultura. Normalmente fala de personagens conhecidas, santas ou revolucionárias.


Sabendo que os textos não ficcionais  são apenas o relato de fatos reais, trataremos apenas dos textos ficcionais, que criam ou recriam histórias e fatos do cotidiano.



Elementos da narrativa

    O texto narrativo é baseado na ação que envolve personagens, tempo, espaço e conflito. Seus  elementos são:


1. Foco narrativo

1.1 Primeira pessoa: quando o  narrador conta a história utilizando a primeira pessoa do singular ou do plural.  Neste caso,  ele participa da história (narrador-personagem);

1.2. Terceira pessoa: quando o narrador não faz parte da história e fala do personagem na terceira pessoa do singular ou do plural (narrador-observador). Obs.: Muitas vezes o autor fala de si mesmo na terceira pessoa. Como se um aluno contasse o seu dia na escola, referindo-se a si mesmo como ele, o aluno.


2. Personagens

2.1. Protagonista – É o personagem principal, o herói (heroína), aquele por quem todos torcem.

2.2.Antagonista  - É o personagem que se coloca contra o protagonista,  geralmente, nas novelas, aquela pessoa que vive armando situações para prejudicar o personagem principal.

2.3. Coadjuvante – Personagem menos importante, secundário, que faz parte do cotidiano do protagonista ou do antagonista.

2.4. Figurante – Personagem terciário, que apenas aparece para compor a cena, não desempenhando nenhum papel significativo no enredo. Pode até nem ser percebido pelos personagens principais e secundários.


3. Narrador

3.1. Narrador-personagem – É aquele que faz parte da história e, por isso mesmo, relata os fatos em primeira pessoa.

3.2. Narrador-observador – É o narrador que, estando diante dos fatos, observa-os e relata  o que vê.

3.3. Narrador onisciente – É aquele que, além de observar e saber de tudo o que acontece, tem o poder de conhecer o pensamento, os sentimentos e emoções de cada personagem, como também tudo o que aconteceu e o que está por acontecer.


4. Tempo

4.1. Cronológico – O relato se desenvolve numa sequência progressiva e lógica de tempo.

4.2. Psicológico – O relógio e o calendário perdem seu sentido linear. No tempo psicológico o personagem ou o narrador vai à infância e avança à velhice em segundos.

É o tempo da imaginação, do sonho, da lembrança, da saudade.  Geralmente, quando aparece o tempo psicológico  no texto narrativo,  ele marca a presença de um trecho descritivo.


5. Espaço. – O contexto, o lugar onde se desenvolve o fato ou a história.


Estrutura do texto narrativo

 Apresentação  -  A parte que introduz, que dá os dados necessários para a compreensão da anedota,  conto, crônica ou qualquer que seja o tipo de texto narrativo.

Complicação ou desenvolvimento  -  Parte do texto que traz o conflito, problema ou situação que é o ponto central da narrativa.

Clímax  -  É o auge, o ponto culminante do conflito,  seja ele dramático ou cômico.
Desfecho    É a resolução ou a saída do conflito , ou ainda – no caso de uma anedota – o final que faz com que o leitor  perceba o sentido cômico da narrativa.

O discurso na narrativa


1. Discurso direto

O narrador apresenta a própria personagem falando diretamente, permitindo ao autor mostrar o que acontece em lugar de simplesmente contar. Veja o exemplo a seguir:

“Lavador de carros, Juarez de Castro, 28 anos, ficou desolado, apontando para os entulhos: “Alá minha frigideira, alá meu escorredor de arroz. Minha lata de pegar água era aquela. Ali meu outro tênis.”                                                                                                     
( Jornal do Brasil, 29 de maio 1989)

Obs. Vale ressaltar que, embora, no exemplo acima, a fala do personagem esteja reproduzida dentro do texto, separada da fala do narrador por aspas, é mais comum o discurso direto aparecer com as falas introduzidas por um travessão e pelos verbos dicendi ( disse, respondeu, falou, afirmou etc.)


2. Discurso indireto

O narrador interfere na fala da personagem. Ele conta aos leitores o que o personagem disse, mas conta em 3ª pessoa. As palavras da personagem não são reproduzidas, mas traduzidas na linguagem do narrador.

“Dario vinha apressado, o guarda-chuva no braço esquerdo e, assim que dobrou a esquina, diminuiu o passo até parar, encostando-se à parede de uma casa. Foi escorregando por ela, de costas, sentou-se na calçada, ainda úmida da chuva, e descansou no chão o cachimbo.

Dois ou três passantes rodearam-no, indagando se não estava se sentindo bem. Dario abriu a boca, moveu os lábios, mas não se ouviu resposta. Um senhor gordo, de branco, sugeriu que ele devia sofrer de ataque”.

Dalton Trevisan. Cemitério de elefantes. Rio de Janeiro,
Civilização Brasileira, 1964.


3. Discurso indireto livre

É uma combinação dos dois anteriores, confundindo as intervenções do narrador com as dos personagens. É uma forma de narrar econômica e dinâmica, pois permite mostrar e contar os fatos a um só tempo.

“Enlameado até a cintura, Tiãozinho cresce de ódio. Se pudesse matar o carreiro... Deixa eu crescer!... Deixa eu ficar grande!... Hei de dar conta deste danisco... Se uma cobra picasse seu Soronho... Tem tanta cascavel nos pastos... Tanta urutu, perto de casa... se uma onça comesse o carreiro, de noite... Um onção grande, da pintada... Que raiva!... Mas os bois estão caminhando diferente. Começaram a prestar atenção, escutando a conversa de boi Brilhante”.

Guimarães Rosa. Sagarana. Rio de Janeiro,
José Olympio, 1976.

Observe que o discurso indireto livre representa o “pensar alto”, a exposição do pensamento no meio da narrativa. No discurso direto, o personagem fala. No discurso indireto, a fala do personagem é reproduzida pelo narrador ou por outro personagem. E o discurso indireto livre mostra o pensamento do personagem.


_____________________________
Bibliografia:

SOUZA, Diego Lucas Nunes de. Descrição. Apostila de Redação e estudos linguísticos - Módulo II. 
Cataguases, 2011, p. 3 - 7.

CABRAL, Marina. Narração. BRASIL ESCOLA. Disponível em:  http://www.brasilescola.com/redacao/narracao.htm. Acesso em: 12/02/2011.

SANTANA, Ana Lúcia. Narração. INFO ESCOLA. Disponível em: http://www.infoescola.com/redacao/narrativa/. Acesso em: 12/02/2011.

PIMENTEL, Carlos. Redação descomplicada. Editora Saraiva: 2008

0 comentários:

.